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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Já é, de Juleni Andrade


Já é


Da Lua fico encantada com as crateras, posso até imaginar saltos na falta de gravidade, seria como voar. No ar desses outonos sinto os escombros de uma falsa sensação de solidez. A Terra na imensidão, ainda parece grande aos olhos da gente e tem sua fiel seguidora. A Lua é uma farsante que vive a corromper poetas. Mas poetas, com seus fingimentos, alimentam fantasias grandiosas até sobre osminúsculos grãos de areia.

Fico bem quando é outono, já é quase inverno.

A delicadeza das reentrâncias dos mitos trançados na cabeleira vasta da História é algo espantoso. Já impôs outra forma para a Terra, já plantou cavaleiro na Lua, cobrou pedágios nas avenidas do medo, debulhou contas marcadas. E a Lua parece cúmplice dos notívagos, tantos os sanguinários quanto dos loucos inocentes.

Fico bem quando a Lua chega, já é hora de viver.

Do Sol só sei que é vital e por isso é bom. Estar exposta ao astro rei não é das coisas que maravilham meu senso. Todos os dias são tensos, busco abrigo. Vampiresca condição em relação ao raiar. Prefiro esconder minha pele da clareza insuportável, do calor nada cômodo. E no porém que tudo tem, é muito bom saber que o nascer aconteceu e que a vida continua.

Fico bem olhando o poente, já é poesia no céu.


Juleni Andrade

3 comentários:

  1. É um prazer quando algum dos meus textos são lidos por você e o prazer é maior quando você gosta.

    Beijos, Dhe.

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  2. Amo teus textos, Ju, e fiques certos que muitos aparecerão aqui...

    sou fã de carteirinha!!!

    Beijo de amor

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